Já sei que não consigo ser diferente em algumas coisas. E tenho certezas. Não sou sempre dúvidas. Entretanto, por mais que eu tente não consigo deixar de analisar as situações e toda a lista do parágrafo acima de uma forma muito peculiar. Mesmo porque acho que faz parte da conjunção astral/carmática que resultou no meu jeito de ser. Mas algumas coisas realmente não são tão importantes, então eu gostaria de poder ouvir e não ligar, ler e não fixar na mente o que li, ver e não ser tocado pelo que vi. Porque assim as coisas ficariam mais fáceis para mim. Duvidaria menos. Conheço muita gente que consegue. Que está mais focada na sua própria vida e não é tão afetada com o lixo ou o luxo que está ao redor. Vai em frente, não perde tempo analisando por exemplo, qual a importância daquilo que faz ou deixa de fazer para o resto do mundo, está interessada em fazer o que quer fazer e pronto. Dane-se o resto, e vamos que vamos porque não quero perder o trem. Talvez esse tempo que eu acho que estou perdendo realmente não seja uma perda, mas uma estufa quente e úmida onde um universo de fungos e bactérias estejam surgindo sem que eu perceba, e em algum momento eles me servirão como alimento para continuar a tal da vida. Talvez eu só consiga funcionar assim. Mas que é chato e desconfortável, ah isso é. Na próxima encadernação, se eu puder escolher vou preferir vir ao mundo mais levinho, mais ausente do que presente, menos preocupado em tentar me entender e como os outros funcionam. Quem sabe não venho em forma de passarinho, e fico vendo tudo acontecer, lá de cima, sobrevoando a cidade. Ou como peixe (não de aquário, preciso de espaço) e passo a vida passeando debaixo d’água, comendo plâncton e brincando de esconde esconde entre os corais. Qualquer coisa, com tanto que seja menos racional e menos emocional.
O gato de um amigo meu, por exemplo, que come quando tem fome e depois de se lamber vai dormir de barriga cheia, de vez em quando aparece só para que cocem a sua cabeça ou escovem a sua barriga. 



