21.7.09
REFORMAS
19.7.09
CASAMENTOS
17.7.09
OBSERVAÇÕES
15.7.09
TUPPERWARE
Retornei a noite, e cada vez mais constato meu medo de viajar de avião. Odeio ficar dentro dessas cápsulas voadoras computadorizadas. Sei que é rápido e mais seguro que outros meios de transportes, mas vou rezando e volto implorando para a coisa não cair. Durante meu martírio penso: e se um fiozinho que liga uma coisa a outra queimar e o sistema falhar? E se...
Sinal dos tempos é a sopinha de tomate que nos ofereceram a bordo. A sopinha é mantida numa garrafa térmica e servida em potinhos de papel. Nojo daquele líquido amarelado. Agradeci, mas não aceitei. Prefiro me alimentar das minhas velhas imagens. Até sabor elas têm. E não vêem servidas para serem tomadas com colherzinhas de plástico. Não sei de onde essa gente tira essas idéias práticas e sem graça. Teria preferido um saquinho de amendoim a tomar aquela sopa.
10.7.09
É TUDO ARTE, OU É POR KILO?
9.7.09
CINE PRIVÊ
6.7.09
CENÁRIOS
Vamos para a arte que é mais fácil de digerir, fica restrita ao campo do pensamento e da reflexão e a gente faz de conta acreditar que porque é ficção, não tem nada a ver com a realidade. Fui assistir o filme “Horas de Verão” no sábado a tarde. Sala cheia, até a última poltrona todos os lugares ocupados. O filme é bom, me deixou bastante aflito, diálogos rápidos, interrompidos, tema delicado, herança, passado, o que fazer com ele no presente nosso de cada dia. Silêncio total na sala. Todos os presentes prestando muita atenção. O filme não conclui nada, não tem a intenção de ser didático, mas de expor algo que afeta toda humanidade: transição da herança cultural, o que podemos ou devemos fazer. Preservar? Enclausurar em museus? Apagar de nossas vidas fugindo para o oposto de tudo o que foi construído por nossos antepassados? Falo por mim, apenas por mim, e não gosto do rumo que estamos nos levando. Não haverá graça. A formalidade é necessária, sem tradição e continuidade não há registros. E é isso que já se vê. No final do filme, o casal de jovens, formado pela neta da velha senhora morta que um dia foi detentora de todo aquele patrimônio, pula um muro porque não quer ser visto, passam para o outro lado do terreno, onde não há nada além do mato alto. No nosso caso é lixo sobre lixo, gente miserável e louca pelas ruas. Prestem atenção no número cada vez maior de sem teto e morador de rua espalhados pelas ruas da cidade.
4.7.09
SILÊNCIO EM LUGAR DE PALAVRAS
3.7.09
GASPARZINHO
2.7.09
INDIGNAÇÃO
Voltando ao jogo do Corinthians. Meia hora antes do início, o sinal da minha tv a cabo deixou de funcionar. Minha frustração foi tamanha quando ouvi a moça do outro lado da linha me dizer que estavam tentando resolver o problema e que a previsão para normalizar o sinal levaria pelo menos mais cinco horas, que num momento de desespero por não poder ver o meu time se classificar para a Libertadores, perdi a compostura e mandei ela enfiar o número do protocolo onde ela bem entendesse. Fica assim confirmada a conhecida crença popular que sempre ouvi e nunca acreditei que pudesse ter sua veracidade confirmada na minha pessoa: o ser humano pode mostrar seu lado mais irracional quando o assunto é política, religião ou futebol.
30.6.09
PIPOCAS
29.6.09
EREMITA URBANO
28.6.09
O ESPÍRITO DA COISA.
26.6.09
DIFÍCIL
24.6.09
MULTIPOLARIDADE
19.6.09
CONTO PRA BOI DORMIR
17.6.09
DÁDIVAS DO INVERNO
Uma das razões do porque gosto do inverno, é porque não sou obrigado a dividir o espaço dentro do vagão do metrô com ninguém usando camisetinha regata mostrando os pelos e cheirando a sovaco. Prefiro o cheiro da naftalina dos casacos retirados do fundo do armário. No inverno o mau gosto fica menos exposto. Até as garotas pançudas adeptas aos jeans de cintura baixa somem do mapa. Dão lugar a xales e casacões. Um amigo me disse que devo ter mais compaixão com os sem espelho. No inverno fica mais fácil.
15.6.09
NO TRONCO
12.6.09
QUASE VOLTANDO
8.6.09
JUBILEU
7.6.09
AINDA VIENA
Bebo gespritztes Weiss wein, em todas oportunidades. Uma heresia deliciosa, vinho branco misturado com água gasosa, geladíssimo, refrescante. Depois me sentei diante da ópera e assisti num telão a Edita Gruberova interpretando Lucia. Mais gordinha do que já era, mas ainda com uma belíssima voz. Uma senhora ao meu lado me disse que ela já está com 65 anos. Mas se movimenta bem e só de vez em quando desafina. Uma beleza. Gente civilizada, ninguém cruza a sua frente, nem fala alto no celular, mesmo do lado de fora do teatro, em pleno calçadão, enfim, gosto daqui, então sou suspeito.
Agora noite, conversei mais de duas horas com um sujeito num balcão de bar. O cara me contou que foi contador e adorava o que fazia. Me lembrei da Macabéia da Clarice. Nada do que ele falava era interessante, mas o entusiasmo com que ele me contou sobre sua profissão era contagiante.. Engatei na conversa e dei corda, o sujeito se animou e não parou mais. Devo ter tomado uma meia dúzia de gespritztes. Sorte que dois amigos vieram me buscar.
Amanhã vou comprar um livro que vi hoje na vitrine de uma livraria, as cartas do Proust, bilíngüe, francês/alemão. Não vejo a hora. Estou curioso para folheá-lo.
3.6.09
HIN UND HER
De Praga vim parar em Zurich. Qual a diferença? Você tem que ser muito rico ou ganhar muitíssimo bem para viver aqui. Se não quiser se sentir pobre não olhe vitrines e não leia os preços nos cardápios dos restaurantes. Ou não venha para cá. Tudo é caro. Até a internet oferecida gratuitamente nos hotéis em outros países, aqui você deve pagar. Quinze francos a diária da internet no meu hotel. E olha que estou hospedado num bem normalzinho, com diária que cabe no meu bolso.
Estou a trabalho, no final de semana volto para Viena, minha cidade predileta, onde moraria facilmente e me tornaria um vienense zangado e cheio de pose.
30.5.09
+ SOBRE PRAGA
29.5.09
PRAGA
Cheguei ontem em Praga. A temperatura caiu muito, está fazendo frio e ventando. Estive aqui em 88, um ano antes da queda do muro, ainda na era do comunismo, e a cidade era escura, os rostos tristes, vitrines decadentes, restaurantes que não funcionavam, um horror. Lembro-me de ter esperado mais de quarenta minutos o garçon me servir um café. A infelicidade estava estampada na cara dos habitantes. Vinte e um anos depois, a cidade mudou muito, está linda, com os prédios históricos restaurados, é possível sentir a energia no ar, muita gente na rua, locais funcionando onde você se sente acolhido, uma agradável surpresa. Praga talvez seja uma das cidades mais lindas da Europa. Quanto mais você a conhece mais gosta dela. Há muitas praças espaçosas, o rio que divide a cidade e as lindas pontes que conectam os dois lados dela. Hoje revi a pequena casinha de número 22 atrás do castelo onde Kafka teve seu pequeno escritorinho e escreveu alguns de seus livros. Não tem mais do que 15 metros quadrados. Foi alugada por ele, quando procurava um lugar tranquilo para escrever. Depois do trabalho ele ia para lá e só voltava para casa depois da meia noite. Além de sua irmã ninguém mais sabia que ele havia alugado a casa. Li que ele gostava de descer as escadarias do castelo de noite, depois de passar horas escrevendo, dizia que precisava daquele tempo para refrescar a cabeça. Permaneceu lá por dois anos. Fiquei imaginando ele lá dentro, sozinho, refletindo e escrevendo, a pequena janela com vista para o outro lado da cidade, me bateu uma tristeza..., mas sei que ele precisava daquele cubículo para escrever, estar só, isolar-se de todo o resto para criar.






26.5.09
VIENA
Já passei por Viena e agora estou em Budapest. Sinceramente, não queria sair de lá. Gosto muito de Viena, não apenas porque já vivi na Áustria e tenho muitos amigos, mas porque a cidade é um modelo de como todas outras cidades deveriam ser. Grande, sem ser desproporcional, cheia de parques que servem como ilhas refrescantes dentro do espaço urbano, museus permanentes e mostras internacionais, salas de concertos de primeira qualidade, ópera, cafés e restaurantes em abundância e um povo educado e consciente do quão bela é sua cidade e da importância de sua preservação. Não há como deixar de fazer comparações com outras cidades que conheço, mas fica ainda mais difícil não reconhecer o quanto Viena é generosa com os seus cidadãos e vice e versa. Limpa, organizada, dentro dela conseguimos ver o céu (devido ao gabarito dos prédios), espaçosa, avenidas largas, meios de transporte que funcionam, bondes, metrô, ciclovias, semáforos inteligentes, cestos de lixo a cada cinqüenta metros, um rio que não cheira mal, sinalização inteligente, enfim, uma cidade feita para o homem e não para o automóvel.
Estou com dois amigos arquitetos, Hagop Boyadjian e Roberto Leme Ferreira. Se já conhecia a cidade emocionalmente, agora eu aprendi a respeitá-la ainda mais. Com eles passei a compreender a importância do planejamento de uma cidade. Nas muitas conversas que temos durante nossas longas caminhadas, entristecemos só de lembrar da falta de respeito que os vários governos, independente da cor de seus partidos, tem para com a cidade onde moramos. Roberto é arquiteto do Condephat, e além de me contar histórias que desconhecia sobre São Paulo, me esclarece muitas dúvidas.
Volto a insistir na educação. Sem ela não haverá desenvolvimento. Sem consciência, não há registro, sem registro não há memória. Por enquanto é isso, abaixo alguns registros da cidade.






16.5.09
PARIS E AS BOAS SURPRESAS.
A vontade de viajar estava fermentando dentro da minha cabeça, então duas surpresas aconteceram para contribuir com o crescimento dela: primeiro fui convidado por dois amigos para viajar, depois quase que simultaneamente fui contratado para fazer um trabalho na Europa. O conhecido unir o útil ao agradável virou realidade e eu estou aqui em Paris. Fico uns dias aqui e depois vou para Áustria, de lá os dois amigos retornam e eu fico para trabalhar. A viagem não poderia ter começado melhor. Sempre quis conhecer Gilles Lapouge, jornalista, escritor, articulista e correspondente francês do Estadão. Hoje tive a oportunidade de conhecê-lo. Amigo de um dos meus companheiros de viagem, não tive nenhuma dúvida quando convidado para almoçar com eles. Sujeito agradabilíssimo, de voz mansa, culto, educado, simples e acessível. Almoçamos num restaurante perto de seu atelier, e adivinhe o que ele pediu para comer? Dobradinha. Isso mesmo, refogadinha com legumes e batatas. Um bom vinho, boa conversa, homem experiente, sabe ouvir e tem muitas histórias dentro de sua cabecinha para contar.

A temperatura está entre 10 e 16 graus, ideal para caminhar, caminhar e caminhar, parar nos cafés e livrarias para descansar e continuar a caminhada. Se tiver tempo e disposição, escrevo mais de onde eu estiver.
13.5.09
MISTÉRIO
8.5.09
MARÉS
ESPAÇO PÚBLICO
6.5.09
O VERBO É LABUTAR
O romance está pronto. Desde a conclusão pareço ter me esvaziado. Talvez por isso o mergulho no trabalho/ridiculum vitae. Ocupar o tempo cumprindo deveres e obrigações, ainda não consigo dialogar com o lúdico, ou com o que não é palpável. Não me queixo. Já entendi como a coisa funciona. Não conseguiria criar absolutamente nada agora.
No contato profissional com outras pessoas, tenho observado a variedade de medos e apegos que as pessoas desenvolvem e depois não conseguem mais se desvencilhar. Dificultam a própria vida. Ficam raivosas, e fazem a mal a si mesmas. Apego ao dinheiro, objetos, pessoas, relacionamentos mal resolvidos, vaidades, orgulho, doenças. Incrível como tudo isso vai se desenhando no rosto delas, no movimento das mãos, no jeito de falar e de olhar. O que mais me chama atenção são os limites que elas impõem a si mesmas. Ao invés de se abrir, elas se fecham. Exigem passaporte de qualquer um que tente se aproximar. Estão sempre perdendo. E não sabem a razão.