14.10.08

INSPIRAR E EXPIRAR

Há algum tempo aprendi que as palavras não ditas fazem mais estragos que as cuspidas rapidamente para fora de nós. Em primeiro lugar ferem quem as retém, e a médio prazo toda a periferia ao nosso redor. Até hoje tenho grande dificuldade em saber o tempo certo para liberá-las de dentro de mim. Não posso dar a elas muito tempo, porque elas se acomodarão e criarão raízes. Não mais estarão dispostas a abandonar o lugar onde encontraram conforto. Mas expulsá-las de dentro de mim sem antes ter certeza de que estou fazendo a coisa certa, seria da mesma forma uma violência contra mim mesmo. Um difícil exercício que requer muita disciplina e que nem sempre estou emocionalmente disposto a praticar. Por outro lado, aquelas que eu não quis reter por muito tempo dentro de mim, e que cuspi sem muito analisar se deveria ou não mantê-las comigo, muitas vezes me fazem falta. Eu as quero de volta, porque me precipitei e pouco refleti antes de soltá-las. Mas já não posso mais resgatá-las. Penetraram ouvidos alheios, e se transformaram em outros significados. Casaram-se com outras palavras sinônimas ou até mesmo antônimas, e já não mais me pertencem. Isso me entristece e me faz pensar em muitas coisas. Como por exemplo que uma coisa é aprender e outra é fazer uso do que se aprende. Ou ainda, que o tempo certo para nós, pode não ser o tempo certo para o outro. Todo cuidado é pouco. Se guardamos a palavra por muito tempo dentro de nós, ela poderá amargar, mas se a cuspirmos antes da hora, ela certamente vai encontrar más companhias pelo caminho e se perderá para sempre.

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