4.12.08

TEM PARA TODO MUNDO


Vi hoje um quiosque dentro da estação Sé do metrô que vende planos funerários. Você paga mensalidades a partir de R$ 41,50 e garante o lugar e como será seu funeral. Num primeiro momento é esquisitíssimo, num segundo continua esquisitíssimo, e no terceiro já me acostumei com a idéia de que é esquisitíssimo. Tenho um amigo austríaco que não acharia nada disso esquisito. Por lá programar e prever os custos e despesas de tudo que terá a ver com a sua morte é normal. Talvez seja mesmo. Mas que é esquisito ver um quiosque dentro da estação do metrô vendendo planos funerários, a isso é.


Hoje enquanto almoçava minha empregada me perguntou por que eu não trocava uns vasos que tenho sobre uma mesa redonda de lugar. Argumentei que gosto de ter os objetos que comprei pelas cidades ou países onde já visitei expostos. Completei dizendo que a casa da gente reflete um pouco do que somos. Depois de alguns minutos me surpreendi constrangido com a minha explicação que poderia ter saído da boca da Martha Stewart. Quase comecei a me chicotear, mas logo desisti, afinal, não vou conseguir deixar de ser um pequeno burguês se começar a negar o que sou. Mesmo que isso seja difícil de engolir. Então me convenci de que existem vários tipos e graduações de pequeno burguês, e mesmo sem saber em qual tipo eu me encaixo, decidi que pertenço a um que seja de fácil digestão.

O que dizer então dos livros que vão se acumulando pelas estantes e mesas de cabeceira, ou sobre os pufes? Ah sim, livros são diferentes de vasos. Tenho um carinho ainda mais especial por eles. Gosto deles enfileirados sobre as prateleiras. Não coleciono nada. Não tenho aquários cheios de rolhas ou caixinhas de fósforos, ou soldadinhos de chumbo. Mas sou feito de carne e osso, livros são meus objetos de desejo e eu tenho muito ciúmes deles. Não os empresto para ninguém. Prefiro comprar e dar de presente a emprestar um livro que eu tenha lido e gostado.

Por outro lado sou um burguês que não dá o menor valor a carros, jóias, relógios, roupas de grife, bares badalados, não uso a palavra fake para definir o que é falso, nem uso óculos inóóórmes na cara.

2 comentários:

Diniz disse...

Gostei de sua (quase) busca classificatória. Quem sabe é mais facil nos procurar pelos outros do que por dentro de nós mesmos. Afinal, não somos tantos tipos diferentes mesmo. Observarei sua viagem, quem sabe acho quem sou por trechos da sua.

Monca disse...

pois eu não acho esquisito não. aliás, deixar o funeral quitado é um alívio. Eu morro até mais sossegada de saber que não deixo essa chatice pros filhos ou quem quer que seja. Negociar preço e jazigo disponível na hora seguinte da nossa morte é muito triste, aborrecido. Ainda vou resolver essa questão. E do jeito que anda a violencia carioca talvez eu devesse fazer isso ontem!