17.11.10

LÍNGUAS

Em junho quando cheguei aqui o Sarkozy tinha a aprovação de um pouco mais de 40% por cento dos franceses, hoje li no Le Monde que apenas 21% ainda aprovam seu governo, do jeito que vai até o natal a única pessoa que (talvez) ainda goste dele será a Carla Bruni.

Depois de reformar o seu ministério, uma reforma de araque, ele manteve quase todas as peças e também o primeiro ministro François Fillon, que é uma espécie de cão de guarda que pode morder o próprio dono a qualquer momento. É seu maior concorrente, e segundo a mesma pesquisa está com 71% de aprovação.

Dizem as más línguas (98 % delas) que os dois se amam tanto quanto se odeiam, e travam uma luta de egos impressionante.

Ontem para concorrer com a chatice que é o programa eleitoral obrigatório brasileiro, Sarkozi deu uma entrevista de 1 hora e 30 minutos na tv. Falou, falou, falou, e não falou nada. Aliás, é um excelente advogado em causa própria, falou de si mesmo e das mudanças necessárias que o governo francês pretende fazer para melhorar a situação econômica e social do país, mas esqueceu de dizer como vai fazer.

O problema é que a esquerda daqui também fala o tempo todo o que deve ser feito mas não diz como e com quais recursos. De retórica a esquerda sempre foi boa. O Partido Socialista francês deveria levantar as mãos para o céu e agradecer ao Sarkozi por já ter feito a reforma dos aposentados. Evitou um confronto com os sindicatos onde estão seus eleitores. Um abacaxi desse tamanho que já foi descascado e que a esquerda economizou. O desgaste todo recaiu nas costas do Monsieur Bruni. Se nas próximas eleições o PS conseguir convencer os franceses de que pode governar melhor, o Abacaxi será menos azedo. Uma nova reforma deverá ser feita daqui a 10 anos, porque segundo outras línguas, menos más e mais qualificadas (os 2% restantes), essa só resolve as coisas até 2020.

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