12.9.08

MIS OJOS

Aguardo com ansiedade a virada do tempo. Sinto falta das temperaturas amenas. Falo do tempo e não dos Homens, neles espero encontrar temperaturas definidas.

No meio da semana assisti ao filme “Pelos Meus Olhos”. Filme espanhol, atores excelentes, direção impecável e tema incômodo: mulher que convive com marido colérico. O filme mais do que convencer pela qualidade, toca no ponto certo. O amor (essa coisa que cada um vê e sente de um jeito, mas que todos, até aqueles que negam, não conseguem se desvencilhar do desejo romântico) tem limites? Minha reflexão vai mais longe: tem jeito? No início do filme a irmã de Pilar (adoro esse nome) nos dá a dica. Medo. O medo está dentro de Pilar. E tem todo o entorno familiar, a mãe, o filho e etc... E tem Toledo, que reforça a sensação de estreitamento e o rio que margeia a cidade. E no meio do filme, me percebi refletindo sobre os rios da minha cidade, todos sujos e fedidos. Que para nós se tornaram invisíveis. Volto para Pilar. E para El Greco. Torço por Pilar e todas as Pilares do mundo, mas o filme me desperta uma vontade profunda de voltar a ver as obras do El Greco. O filme passou, mas a vontade de ver as obras do El Greco não.

Uma dica para o final de semana chuvoso. Leiam. Li um pequeno romance numa só sentada, de um escritor chamado Walther Moreira Santos. O romance se chama “O Ciclista”, tem apenas 124 páginas, ganhou o primeiro prêmio José Mindlin de Literatura. É intenso, e cada uma das palavras nele contidas, muito bem escritas.

Um comentário:

Walther Moreira Santos disse...

Querido Sergio Keuchgerian: Obrigado pelas belas palavras! Que bom que meu CICLISTA - essa garrafa lançada no oceano do mundo - esteja encontrando as pessoas certas!

Pena a linda capa não estar aqui... mas abaixo está a capa do tRasif do também pernambucano Marcelino Freire, então a beleza já está garantida.