24.2.05
PESQUISA
Li matéria sobre pesquisa feita pelo IBGE
a respeito da desigualdade social no país.
O título dizia que a diferença entre as rendas
dos mais pobres e dos ricos caiu no último ano.
Antes de ler, já imaginava os motivos.
São claros e estão aí nas ruas e entre conhecidos
para atestar a veracidade. A pesquisa mostra
que a diferença caiu porque os mais ricos
estão ganhando menos e os mais pobres ainda
menos do que a miséria que ganhavam. Por isso
a diferença estreitou. Porquê todos estão
empobrecendo, e não como era de se desejar,
porque a renda dos mais pobres foi elevada.
Estamos empobrecendo no geral.
Independente do partido que está no poder.
O país empobrece dia a dia visivelmente.
Economicamente e por conseqüência, culturalmente,
socialmente, politicamente (com exceção dos políticos
cada vez mais ricos). Abra os jornais ou assista televisão,
tudo o que temos é uma alternância entre crimes-sequestros
falcatruas e corrupção. O resto é pura maquiagem.
Estória para boi dormir. Nada, em absoluto mudou para
melhor, exceto os dados numéricos fornecidos pelo IBGE.
Que são esses aí que eu acabo de contar a vocês.
22.2.05
QUERIDINHAS.
No caminho, entre o shopping e o apê,
Ela preferiu carregar Kika no colo.
Não queria que ela sujasse as patinhas.
Kika agradeceu lambendo-lhe o pescoço
e o rosto. As duas eram levinhas.
Kika, assim como Ela, comia muito pouco.
Exceto nas vezes em que Ela resolvia comer
chocolates. Aí sim Kika ultrapassava Ela na
quantidade. As duas se lambuzavam.
Dividiam bombons e, algumas horas depois,
também a dor de barriga. Ela corria ao banheiro.
Kika por sua vez, era obrigada a esperar.
Assim que Ela se sentia aliviada, era a vez de Kika.
As duas corriam para a rua e Kika se aliviava tão logo
botava as patinhas na calçada. Um ritual quase
catártico, no sentido psicanalítico da palavra.
Depois tanto uma como a outra
não queria ouvir falar de chocolates. Uma voltava
para suas folhas de alface, e a outra para sua ração.
Um horror dizia Ela para si mesma enquanto Kika
abanava o rabinho. Mantinham segredo sobre isso.
Ninguém deveria saber. Nem mesmo Janete, a cabeleireira.
Janete é boa profissional, mas fala demais, elas costumavam
comentar entre si. E hoje era dia dela vir no apê.
Cuidariam da aparência. E Janete era boa nisso.
Deixaria as duas prontas para a exposição pública.
Fariam cabelos e unhas. Uma esperaria pela outra.
Antes de começar o trabalho, serviriam biscoitos a Janete.
Ela os adorava. Dizia serem os mais crocantes que
já comera em toda a sua vida.
Kika abanava o rabinho de tão feliz.
Era verdade. Não havia no mundo
biscoitos tão saborosos como aqueles.
Ela, dizia serem importados. Um amigo trazia do
Duty Free. Janete ficava impressionada.
Mastigava-os ainda com mais prazer.
Kika por sua vez sabia que eles saíam de
dentro de seu saco de ração.
Mas tudo bem. Não se importava com pequenezas.
Afinal, Ela também dividia seus chocolates com ela.
21.2.05
ALECRIM.
Acendo um incenso de alecrim e uma vela.
Para a semana. Abrir caminhos e descarregar ambientes.
Essa é a intenção. O envio do “trabalho”
não tem endereço certo.
Eu sei. Eu sinto. Eu rezo.
Agradeço e peço por mais fé.
No que virá.
Eu, cidadão do novo mundo,
contemporâneo e seguidor de teorias da razão,
acredito que é preciso ter fé.
Não gosto da última frase. É preciso ter fé me
deixa inseguro. Sempre pensei que ela estaria aqui,
dentro de mim, a fé. Sem esforço. Assim, como o
ato da respiração.
Eu sei. Eu sinto. Eu rezo para não pensar
o tempo todo sobre ela.
É preciso ter fé me incomoda.
Mas mesmo assim. Tento.
Acendo um incenso de alecrim e uma vela.
Para a semana. Abrir caminhos e descarregar ambientes.
Essa é a intenção.
20.2.05
OS SEVERINOS.
É isso. Os Severinos. Nada é mais sintomático
e representa a atual(?) realidade do país do que
a eleição de um homem como Severino Cavalcanti
para a presidência da Câmara dos Deputados.
Sujeito que há mais de três décadas mama nas
tetas do estado e vive as custas do povo e nunca fez
nada para merecer tanta regalia. Foi eleito por maioria.
Maioria esta conivente com as manobras e conluios que
nada mais são do que tirar vantagens de situações para
enriquecer os próprios bolsos. Gente ruim, de péssimos
princípios (se é que é possível se falar em péssimos princípios),
que não conhecem ética e moral, apenas
vantagens. Um reacionário morto-vivo que prometeu
antes de ser eleito, aumentar ainda mais os salários
dos deputados em 50%. Enquanto que aposentados
e trabalhadores são obrigados a ouvir sobre os problemas
que um aumento de 30 reais causaria para a economia do
país. Bando de urubus a espera da carniça.
O próprio Severino, nordestino, deveria fazer um passeio
pelo país (desses tipo caravana que o Lula adora fazer)
para ver que as "bases" que ele pretende atender, não
estão na câmara dos deputados, mas sim nas ruas comendo,
morando, e vivendo abaixo dos limites da pobreza.
Sem falar de suas opiniões reacionárias e burras.
Todos perdemos. Não apenas o PT, que mais uma
vez indicou o homem errado para concorrer a presidência
da câmara. O Brasil perde mais uma vez. E perde sempre.
Como estamos cansados de ver e saber.
Nós, habitantes do "país do futuro" sabemos
que com esses representantes todos, incluidos
os excepcionais auto intitulados
militantes-políticos-teóricos-da-esquerda(?)
e-da-direita(?)-e-afins, que agora estão
no poder, continuaremos a denominar
o país onde vivemos realmente de
país do futuro. Quem sabe no próximo milênio...
.
e representa a atual(?) realidade do país do que
a eleição de um homem como Severino Cavalcanti
para a presidência da Câmara dos Deputados.
Sujeito que há mais de três décadas mama nas
tetas do estado e vive as custas do povo e nunca fez
nada para merecer tanta regalia. Foi eleito por maioria.
Maioria esta conivente com as manobras e conluios que
nada mais são do que tirar vantagens de situações para
enriquecer os próprios bolsos. Gente ruim, de péssimos
princípios (se é que é possível se falar em péssimos princípios),
que não conhecem ética e moral, apenas
vantagens. Um reacionário morto-vivo que prometeu
antes de ser eleito, aumentar ainda mais os salários
dos deputados em 50%. Enquanto que aposentados
e trabalhadores são obrigados a ouvir sobre os problemas
que um aumento de 30 reais causaria para a economia do
país. Bando de urubus a espera da carniça.
O próprio Severino, nordestino, deveria fazer um passeio
pelo país (desses tipo caravana que o Lula adora fazer)
para ver que as "bases" que ele pretende atender, não
estão na câmara dos deputados, mas sim nas ruas comendo,
morando, e vivendo abaixo dos limites da pobreza.
Sem falar de suas opiniões reacionárias e burras.
Todos perdemos. Não apenas o PT, que mais uma
vez indicou o homem errado para concorrer a presidência
da câmara. O Brasil perde mais uma vez. E perde sempre.
Como estamos cansados de ver e saber.
Nós, habitantes do "país do futuro" sabemos
que com esses representantes todos, incluidos
os excepcionais auto intitulados
militantes-políticos-teóricos-da-esquerda(?)
e-da-direita(?)-e-afins, que agora estão
no poder, continuaremos a denominar
o país onde vivemos realmente de
país do futuro. Quem sabe no próximo milênio...
.
19.2.05
BRASIS.
Ao ler matéria jornalística sobre o feudal
e brutal conflito pela posse de terra no Pará,
deparei com alguns nomes das pessoas envolvidas.
Sem faltar com o respeito a tragédia, vamos a eles:
Vitalmiro, Francimone, Melidete, Cleone.
Um outro Brasil realmente.
17.2.05
PEQUENA DIFERENÇA.
Se todos os dias fossem iguais
não poderiamos dizer todos os dias,
"amanhã serei ainda mais feliz".
não poderiamos dizer todos os dias,
"amanhã serei ainda mais feliz".
16.2.05
REVISTA LITERÁRIA.
Estou feliz e gostaria de dividir
essa felicidade com todos os meus leitores.
Meu conto "BONEQUINHOS"
foi publicado na 13ª edição da
revista literária Bestiário.
Para ler o conto, basta clicar
em Contos Inéditos no meu
próprio blog, ou acessar a
revista no site http://www.bestiario.com.br
15.2.05
PENSEI NOS HOMENS.
Pensei nos homens
a perambularem,
pelas ruas, solitários,
em busca de amor.
Insatisfeitos. Solitários.
Em busca de amor,
ou do que se assemelhe a ele.
Pensei em nós solitários
que já nos temos e somos.
Satisfeitos.
Com o que acreditamos.
Insatisfeitos.
Com o que acreditamos
ainda possa ou venha a ser.
Pensei em nós,
homens solitários.
Acreditantes.
Insatisfeitos.
Em busca de sonhos
e metas, e formas ideais.
Pensei em nós,
homens, pobres coitados,
enganados e satisfeitos.
Pensei em nós,
ovelhas bípedes,
de óculos escuros,
a blindar a luz do sol.
Pensei em nós,
homens mísseis
em busca do alvo,
ignorantes da dor.
Pensei em nós,
homens,
insatisfeitos,
em busca do amor.
14.2.05
BEBÊ A BORDO.
Um novo blog só de fotografias da
cidade de São Paulo acaba de nascer.
As primeiras fotos são muito boas e me
surpreenderam. Ventania e Casa de Barro
por exemplo, são lindas e mostram
recortes desconhecidos da cidade.
De uma olhadinha nele:
www.sanpablo-sp.blogspot.com
Parabéns ao fotógrafo!
cidade de São Paulo acaba de nascer.
As primeiras fotos são muito boas e me
surpreenderam. Ventania e Casa de Barro
por exemplo, são lindas e mostram
recortes desconhecidos da cidade.
De uma olhadinha nele:
www.sanpablo-sp.blogspot.com
Parabéns ao fotógrafo!
AVIADOR MIRIM.
Fui assistir ao Aviador. Não gostei.
Fora os efeitos especiais das cenas em que os
aviões parecem voar sobre nossas cabeças,
o filme é desinteressante. A começar pelo
protagonista principal. Leonardo Di Caprio não
tem physique-du-rôle. Voz de adolescente e americano
caipira, corpo de tísico, um horror. Deveria esperar
até envelhecer para filmar qualquer outra coisa.
Ou se preferir trabalhar com Spielberg até envelhecer.
Além do mais, a forma dada a biografia de Howard Hughes
não emociona. Filme feito por Hollywood para Hollywood.
Com certeza vai arrebatar alguns Oscars, mas se dependesse
de mim mereceria apenas o de melhor produção.
13.2.05
NOVO CONTO!!!
Tem novo conto no Empalavrado.
É só clicar em "SE EU TIVESSE UM PAU..."
ao lado, em CONTOS INÉDITOS.
Boa Leitura! Comentários são sempre
bem vindos.
É só clicar em "SE EU TIVESSE UM PAU..."
ao lado, em CONTOS INÉDITOS.
Boa Leitura! Comentários são sempre
bem vindos.
12.2.05
EM EXTINÇÃO.
Vou começar devagar. Falo baixinho. Sussurro.
Sou uma porcelana. Uma peça raríssima. Biscuit.
Ao meu redor hipopótamos, rinocerontes, elefantes.
Eu. Solitária. Ilhada. E com medo. Muito medo.
Ciente da situação. Um esbarrão e pronto.
Deixo de existir.
Eles nem vão notar o estrago. Estrago? Que estrago?
Não represento nada. Nem sabem o que sou.
O que diriam de mim? E quem sou eu mesma?
Não sei. Estou perdida. No meio de tantos, ah tantos, tantos...
Animais pesados. Brutamontes enormes e barulhentos.
Perdi todas as minhas referências.
Sei que me consideravam sublime. Não faz muito tempo.
Elegantemente simples. Refinada.
Era admirada por todos. Tocada d-e-l-i-c-a-d-a-m-e-n-t-e.
Por todos. Mas isso é passado. E o que é o passado?
Para eles? O passado? O que é isso? Pode comer?
Sobrevivo. Pequenina. No meio deles. Ilhada.
Ouço o som de suas batucadas. Vejo o requebrado vulgar.
As risadas. Os arrotos e o ruído do palitar dos dentes.
Sou uma sobrevivente. Peça única. Exemplar.
Sobrevivo por um acaso. Por instinto.
E porquê são altos demais. Fortes demais. Grandes demais.
Não me notam. Não me vêem. Não me percebem.
Eu. Pequenina porcelana delicada quase nem respiro.
Paciente. Espero a manada passar. Vai passar.
Eu sei. Tudo passa. E a manada vai passar também.
11.2.05
TUDO-QUE-EU-QUERO-AGORA.
Acho que não vou suportar.
Acho que não.
Não vou conseguir me controlar.
Não vou.
Um beijo é tudo que eu quero agora.
Um beijo.
Enfiar minha língua dentro de sua boca e guerrear.
Simples e difícil.
E mentira.
Porque não é só isso. Tudo que eu quero agora.
É mais. É tudo. É agora.
Você sabe.
Depois do beijo o desejo se alastra pelo corpo e fica quase
impossível controlá-lo.
Quase.
E eu não suporto os quases.
Os quases não chegam aos fins.
E então eu me sinto no meio do caminho.
Entende?
No meio do caminho.
Você sabe.
Tudo que eu quero agora.
Não ficar no meio do caminho.
É tudo-que-eu-quero-agora.
E mais um pouco.
O que vem depois.
O excesso.
Que pra mim não é supérfluo.
Faz parte de tudo-que-eu-quero-agora.
Na mão.
No chão.
Nas coxas.
Sobre o ventre ou dentro de você.
8.2.05
IT NA HORIZONTAL.
Nem menina nem menino. Um ser. It.
Pedaço de vida. Bundinha pequena, durinha.
Cabelinho curto, soldadinho de chumbo.
Decidida(o), insinuou-se todo(a) pro velho.
Delícia. Meu nome é… O coroa desviou.
Fugiu. O piercing na ponta da língua.
Avançou. Pro batuque. Mais perto da roda.
Latinha na mão. Desliza o pagode.
Beleza. Beleza meírrmão, e aí?
Carinha ta pegando fogo. Pau na mão.
Vamo nessa. Me beija na boca.
Legal. Maneiro o metal. Arrepiô.
Fresquinho, fresquinho.
Vou te mostrar meu tatoo. No apê.
Maneiro.
Na vertical. Só.
Vai rolar.
Tu vem por cima do Mingau.
Maneiro.
Tu é gostosinha.
Gostosinho.
Só. Tu num viu nada ainda.
Posso imaginar.
Carinha vai incendiar. Vai ficar maluco.
Beleza. Na horizontal.
Só.
Na horizontal.
3.2.05
VENTO FORTE.
Vento forte
vem de longe,
leste-oeste,
norte-sul.
Traz avisos,
vida nova,
e a morte
de velhos tabus.
Vento forte
vem de longe,
leste-oeste,
norte-sul.
Faz notícias
e registros,
e o nascimento
de novos tabus.
Vento forte
va embora,
leva a morte
e deixa a vida,
Va embora
vento forte,
leva o azar
e deixa a sorte.
2.2.05
SENCHÁ.
Consultório psicanalítico.
Sala 3. Fim de tarde.
O doutor tem os olhos fixos sobre o paciente.
O paciente procura palavras para explicar o seu cansaço.
Diz que está cansado. De tudo.
De recomeçar tudo todos os dias. Explica que recomeçar
no seu caso quer dizer o mesmo que nada. Recomeçar
diz o paciente, não quer dizer coisas práticas, mas crenças.
E crenças não surgem assim do nada. É preciso ignorar
a razão. A lógica e a razão. E ele não consegue.
Não quer mais apenas acreditar, assim, fazer de conta, fingir.
Não quer mais. Não. Quer. Mais. Fingir. Acreditar.
O doutor ainda mantém o olhar sobre o paciente. Mas seu
pensamento está em outro lugar. Descruza as pernas e acende
um cigarro. Paris. Casa de chá, antiquário, rue du Bourg-Tibourg
numerrrro, numerrro, tenta se lembrar e não consegue,
numerrro, numerrro. La Grande Tradition, Les Meilleurs Crus.
O paciente já parou de falar e o doutor não percebeu.
Continua olhando fixamente para ele.
O paciente se levanta. Toca o ombro esquerdo do doutor
e pergunta se ele está bem. O doutor dá um sorriso e
imediatamente se lembra. Fondée em 1854, numerrro 30.
É isso meu caro diz o doutor ao mesmo tempo.
O paciente aguarda. O doutor se levanta e lhe dá um
abraço. Eu também, ele diz. Eu também cansei.
Estou cansado. Preciso de um chá. Você precisa de um chá.
Precisamos de um chá. O mundo precisa de um chá.
O doutor abre a porta. O paciente vai embora.
O céu escurece rapidamente. Chove forte.
O paciente se esconde sob a marquise de uma alfaiataria.
Olha os tecidos na vitrine, cumprimenta o artesão.
Príncipe inglês. Schotische karo. Salz und Pfeffer.
Seus pés estão encharcados. Um banho quente era
tudo que precisava agora. Um banho quente.
O doutor dá um gole em seu Sencha Midori. Respira fundo.
Graças a Deus, Graças a Deus.
O QUE VEM DEPOIS.
Ontem:
“Ser ou não ser, eis a questão.”
Hoje:
“Ter ou não ter, eis a questão.”
Amanhã:
“Nem sou nem tenho, me
resolve a questão.”
1.2.05
RODA VIVA.
“A bússola! A bússola!” Alguém gritou.
Deixaram de comer os canapés e apoiaram
as taças de champanhe sobre o elegante
piano de cauda.
“A bússola! A bússola!” Um por um, os presentes
começaram a gritar.
Teve gente que se jogou lá de cima.
PRA VER A BANDA PASSAR...
Acabo de voltar do desfile da Banda Redonda.
Pra quem ainda não sabe (existe há 31 anos), ela
sai sempre na segunda feira que antecede a semana de
carnaval.Talvez ainda seja a única realmente original
aqui em S.P. Tem banda ao vivo com puxadores de samba.
Ainda conserva o ar dos tempos saudáveis do carnaval de rua.
Tudo começou com uma reunião de artistas. Hoje ela é
Multi-tudo. Tem gente de tudo quanto é tipo, cor, dna e
preferência sexual. Uma grande fauna humana, digamos assim.
Não seria possível defini-la, por exemplo, como GLST ou qualquer
outra coisa. Seria preciso o abecedário inteiro. Ela atravessa a cidade.
Pacificamente. Apesar da miscelânea humana e dos foliões um
pouco mais ousados. Ainda é divertida. E antes de tudo, faz
as lembranças das pessoas que eu amo muito retornarem a um tempo
no qual ainda era possível se divertir sem medo. Lembranças que
vira e mexe surgem na superfície da memória dessas pessoas e
que eu não gostaria que sumissem para sempre. É sim manifestação
popular. É sim um pedaço de nós que ecoa da boca de cada um que
lá está a cantar as velhas marchinhas de carnaval. E elas são tão
melancólicas, essas marchinhas, cantadas assim, em coro pela
multidão que se diz alegre. “Oh quanto riso, oh quanta alegria,
mais de mil palhaços no salão, a alegria está chorando pelo amor
da colombina no meio da multidão”
31.1.05
PARA M.M.M.O NÃO ESCRITOR. GRATIDÃO NÃO SERIA A PALAVRA MAIS INDICADA.
Nasci trazendo comigo toda a esperança do mundo.
Cresci ouvindo minha mãe contar histórias sobre meu pai.
Um grande homem. Lutou pela igualdade dos homens na terra.
Não o conheci. Morreu enquanto eu ainda era uma pequena
semente dentro da barriga dela. Dizem que antes de morrer
ele sussurrou meu nome muitas vezes. Olhava para o vazio
e falava baixinho “Asclépio, Asclépio”. O oficial que
cuidava dele na cela não entendia nada. Gritava pra ele
falar mais alto o nome do comparsa e ele
não alterava o tom de voz. Continuava sussurrando
bem baixinho “Asclépio, Asclépio”. Desceram o cassete nele.
Coitado. Homem bom. Lutou pela igualdade dos homens na terra.
Morreu sem me conhecer. Eu o Asclépio.
O camaradinha, como seus amigos ainda fazem
questão de me chamar. Camaradinha Asclépio.
Dizem que foi esse seu último desejo.
Um mundo melhor. Horas antes de trazerem ele de volta
para a cela alguns de seus camaradas ainda puderam
falar com ele. Dizem que ele não falava de outra coisa.
Quero um mundo melhor pro meu filho. Só isso. Veja só.
Um mundo melhor pro meu filho. Imagine quanta grandeza
existia dentro daquela alma. Eu nem havia nascido e ele
já idealizava um mundo melhor para mim.
Lutou pela igualdade dos homens na terra.
Morreu sem me conhecer. Ainda outro dia,
no ponto de ônibus encontrei um de seus camaradas.
Olhou pra mim e disse: "É camaradinha Asclépio,
seu pai foi um grande homem. Idealista. Justo.
Brigou até o último minuto de sua vida pela igualdade
dos homens na terra. Um Jesus Cristo dos trópicos!
Um Gandhi tupiniquim! Que homem! Não tinha ódio no coração.
Apesar de tudo. Apesar das surras constantes que levou
dos policiais. Ele dizia que era tudo culpa da imobilidade social
e política do país. Eles são inocentes ele dizia.
São vítimas assim como nós. Vítimas." E os olhos do camarada
amigo do meu pai se encheram de lágrimas. Eu acredito.
Só posso acreditar. Nem quero pensar em outra hipótese.
Quem sou eu pra duvidar? Antes de embarcar no ônibus ele
ainda apontou pra cara do cara de boina estampado na
camiseta que eu usava e falou: "é camaradinha, passou,
foi-se o tempo, os homens e suas ideologias, estão mortos.
Todos! Não nos resta mais nada. Nada!"
Eu heim! Que coisa! Que falta de esperança!
E pensar que esse camarada foi amigo do meu pai!
Um homem que lutou tanto pela igualdade dos homens na terra!
30.1.05
PRESENTE.
Espero ansioso o lançamento do
livro de contos de Patricia Highsmith.
Sempre me impressionei por sua
capacidade de escrever sobre uma variedade
enorme de temas. Surpreendentes,
dos mais realistas aos mais fantásticos.
Tomara poder comprá-lo antes do carnaval.
29.1.05
CLOSER.
Fui assistir “Closer”, traduzido aqui como
“Perto demais”. Gostei mais do que pensei
que fosse gostar. Bem feito. Bem dirigido.
Julia Roberts bonitinha mais ordinária, mas
convence. Jude Law uma bobagem, funciona
no papel mas não me convence como ator.
Clive Owen, faz direitinho o macho traído e
além disso uma raridade no atual universo de galãs
que temos a disposição: maduro e masculino. Não
tem cara de menininho mimado, nem cabelinho espetado.
Natalie Portman eu não conhecia e gostei.
A trama é boa e tem diálogos acima da média.
O final não me surpreendeu, mas não por isso deixa
de ser realista. O casal que soube jogar e brincar
com a verdade e a hipocrisia resistiu.
O que não soube e quis desvendar tudo não agüentou.
Vale a pena ver.E ouvir. A trilha sonora é deliciosa.
“Perto demais”. Gostei mais do que pensei
que fosse gostar. Bem feito. Bem dirigido.
Julia Roberts bonitinha mais ordinária, mas
convence. Jude Law uma bobagem, funciona
no papel mas não me convence como ator.
Clive Owen, faz direitinho o macho traído e
além disso uma raridade no atual universo de galãs
que temos a disposição: maduro e masculino. Não
tem cara de menininho mimado, nem cabelinho espetado.
Natalie Portman eu não conhecia e gostei.
A trama é boa e tem diálogos acima da média.
O final não me surpreendeu, mas não por isso deixa
de ser realista. O casal que soube jogar e brincar
com a verdade e a hipocrisia resistiu.
O que não soube e quis desvendar tudo não agüentou.
Vale a pena ver.E ouvir. A trilha sonora é deliciosa.
28.1.05
BONEQUINHOS CHORÕES.
Eles choram, os bonequinhos. Nem todos
pelo mesmo motivo, mas inevitavelmente,
eles choram. Descubra a razão.
Acabo de postar na sessão CONTOS INÉDITOS,
mais uma estória pra você.
BONEQUINHOS. Divirta-se e faça comentários!.
REFLEXÕES E NADA MAIS.
Nesses dias em que minha bateria andou baixa
volta e meia lembranças do passado surgiram
do nada a superfície dos meus pensamentos.
Lembrei-me de pessoas que há muito se foram,
e de outras que ainda aqui estão e não mais dividem
suas vidas comigo. Percebi que ainda guardo
muito respeito e bons sentimentos por elas.
As lembranças, mesmo as não tão boas,
me fizeram repensar verdades que sempre considerei
intocáveis, ou até mesmo definitivas.
Confirmei então reflexões que há muito
tempo vinha fazendo a respeito do passado.
Ele não está longe ou distante como gostamos
de afirmar. Está mais próximo de nós do que pensamos.
Colado ao presente, e certamente ao futuro. E talvez
dos três tempos, seja o único palpável.
Impossível não brincar com as hipóteses do que
teria sido ou acontecido se. Um exercício constante
que nos ajuda a construir o dia a dia e também
a imaginar o amanhã. O tempo não para.
Corre aparentemente livre sobre os trilhos.
O garoto tenta alcançá-lo correndo logo ao
lado e é facilmente ultrapassado por ele.
Ficam as lembranças.Da corrida. Do tempo.
E da vontade de ultrapassá-lo.
26.1.05
PAZ OU COISA PARECIDA.
Diariamente leio todos os signos
do horóscopo. Não apenas o meu.
Costume que tornou-se vício compulsivo.
Disseram-me uma vez, que independente
de nosso signo, somos um pouco de todos os outros.
Típico aquariano, carrego bastante curiosidade dentro
de mim. Então depois de ler aquário, leio virgem
meu ascendente, e depois libra, já que a ascendência
em virgem acusa 29° e eu penso que talvez possa também
sofrer as influências de signo seguinte. Há semanas
o astrólogo do jornal Estado de São Paulo, pede para que
todo aquariano dispense a paz em nome do bem que deve ser
conquistado. Primeiro estranhei o recado. Depois achei
que ele estivesse sofrendo do mesmo tipo de vazio que
tem me afetado nos últimos dias: falta de criatividade,
vontade de falar, de escrever, de insistir nos assuntos.
Mas hoje, talvez influenciado pelas palavras do astrólogo,
comecei a prestar mais atenção em mim. Não sei de onde
isso vem, essa ausência de vontade de tudo, mas ela é real.
Parece com paz, pra quem está do lado de fora, mas
visto por dentro, eu sei o quanto não tem nada a ver com ela.
É aflitivo e angustiante, cansativo. Nada sério, penso eu,
mesmo porque, caso contrário eu não teria energia suficiente
para tentar resolver a “coisa”. Então é isso, vou ter que dispensar
essa sensação em prol de mim mesmo. E vou jogá-la fora mesmo.
Cansei de não querer nada e de não ter vontade de nada.
A marquinha que acusa o quanto minha bateria está carregada
ainda não alcançou meus joelhos, mas está próxima, está subindo.
Quando senti-la no meio do corpo haverá vida novamente dentro
de mim, e a paz que procure outra pessoa para se encostar.
22.1.05
MÁQUINA DE MOER.
Chove ininterruptamente lá fora.
Ocupo o tempo como sei e posso.
Leio, escrevo, olho através da janela,
assisto a filmes que por algum motivo
não pude ou não quis assistir antes,
caminho (mesmo sob chuva) e penso:
somos todos contadores de estórias,
só alguns fazem história, mas todos
voluntária ou involuntariamente fazemos
parte dela. Inevitável. Também o rumo
de nossas vidas. Nossa, porque pensamos
que ela nos pertence, ou que somos responsáveis
por ela. Mas será? Será mesmo?
Tenho muitas dúvidas. Inúmeras.
Assisto televisão por apenas algumas horas.
Impossível não me entristecer. Por tudo.
Pelas vidas perdidas, pela pobreza de idéias,
pela divulgação do que há de pior.
Pobreza de espírito em meio a ofertas de
sub-submundos vendidos como o supra-sumo
do que há de melhor. Não sou chocólatra,
mas acabei com um saco de sonho de valsa
branco em poucos minutos. F.M. reclama
que vou engordar mais ainda. Fazer o que?
Talvez um confinamento. Uma câmara apertada
seria a solução para mim. Ajustada a meu corpo
para que ele não conseguisse se expandir.
Expansão também é um tema delicado.
Expansão e delicadeza. Palavras.
Apenas duas palavras que na maioria
das vezes caminham em direção opostas.
21.1.05
A.Z. E A DESCOBERTA DO ÓBVIO.
Uma pequena luz se acendeu dentro de seu cérebro.
Primeiro fraca, quase insuficiente para ultrapassar
os limites de sua mente. Em seguida, auto-suficiente,
ela se encheu de energia e cumpriu sua função:
irradiou claridade e se espalhou por todo seu corpo.
A. Z. sorriu. Então era isso. O segredo era mais simples
do que imaginara. A ausência de uma única fórmula
era o próprio segredo. A.Z. sentiu-se leve e relaxado
como há muito tempo não se sentia.
Até o momento antes da pequena luz se acender
dentro de sua cabeça, sua vida havia sido
um shake longo de esforço mental com períodos curtos
de alegria e cansaço. Tudo por causa dessa busca
ininterrupta. Não havia sido fácil chegar até aqui.
E com certeza, não seria fácil continuar. Mas agora,
depois da descoberta, não haveria tanto sofrimento.
A receita estava dentro dele. Desde o início, e para sempre.
Agora era só aceitá-la, e nunca mais esquecê-la: um shake
longo de esforço mental, com períodos curtos de
alegria e cansaço.
20.1.05
TROCA-TROCA ALÉM MAR.
Mesmo depois de atravessar o
imenso oceano (partiu ontem do Porto
e chegou hoje de manhã em S.P.), o poema
sem nome do querido amigo
do blog http://www.livejournal.com/users/je_bois
chegou intacto. Retirado do fundo de seu baú
depois de ler o post Terreno Baldio.
Obrigado, por ajudar-me a enriquecer o meu blog.
Ontém,
dormi com as tuas cuecas,
na cabeça,
entaladas nas minhas pernas,
na boca,
amordaçado,
como quando me possuías,
ontém,
dormi com o teu cheiro,
e a noite
fundiu todos os odores.
Hoje,
pus a máquina de roupa a trabalhar.
imenso oceano (partiu ontem do Porto
e chegou hoje de manhã em S.P.), o poema
sem nome do querido amigo
do blog http://www.livejournal.com/users/je_bois
chegou intacto. Retirado do fundo de seu baú
depois de ler o post Terreno Baldio.
Obrigado, por ajudar-me a enriquecer o meu blog.
Ontém,
dormi com as tuas cuecas,
na cabeça,
entaladas nas minhas pernas,
na boca,
amordaçado,
como quando me possuías,
ontém,
dormi com o teu cheiro,
e a noite
fundiu todos os odores.
Hoje,
pus a máquina de roupa a trabalhar.
AMIGOS DO PEITO.
Por volta das três horas da manhã abri
os olhos e não mais consegui adormecer.
Sonâmboliei pelo apartamento e me acomodei
na poltrona da sala. Ali fiquei em silêncio.
Por alguns minutos deixei-me alisar pela
brisa fresca que circulava ao redor do meu corpo.
Um recado. Era isso. Minh’alma queria
dizer-me alguma coisa. Fechei os olhos e
tentei auscultar palavras de dentro do vasto
peito da escuridão. Nada, exceto o silêncio.
Talvez na próxima madrugada, e, se
novamente não for possível auscultá-las,
então tentarei nas seguintes.
Escuridão e silêncio, amigos fiéis,
estarão a minha espera.
19.1.05
CHEIRANDO A PÃO QUENTE.
Acabo de postar mais um conto,
PARA SEMPRE NUNCA MAIS
conta a estória de Silvinha e Ferreirinha
e quem sabe também um pouco da sua.
Na sessão Contos Inéditos. Logo ao lado.
Clique para saber mais sobre os dois.
PARA SEMPRE NUNCA MAIS
conta a estória de Silvinha e Ferreirinha
e quem sabe também um pouco da sua.
Na sessão Contos Inéditos. Logo ao lado.
Clique para saber mais sobre os dois.
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