19.8.09

ÍNDIO

Garantias. É o que todos querem. Não importa se a gente está falando de contratos, relacionamentos, gente ou coisa. Ninguém se dispõe a arriscar. Talvez essa vontade de “se garantir” sempre tenha existido, mas aonde foi parar a vontade de apostar, “ver no que vai dar”, tentar, acreditar no outro?

Ontem comprei um livrinho de contos do Gore Vidal, “Sede do mal”, Contos de decadência e corrupção. Contos que ele escreveu no final da década de 40 e início da de 50. Conheço muita gente que entorta o nariz para ele. Por tudo que ele representa, seu tom provocativo e esnobe, um homem que incomoda porque tem opiniões que divergem da maioria, e acima de tudo porque é um sujeito que pensa. Só que não dá para negar que ele escreve bem. Nesses pequenos contos a lógica que constrói sua narrativa está presente de forma clara, sem prejuízo dos ingredientes que preenchem as suas histórias. O livro tem um formato menor que o normal, de bolso, editado pela editora José Olympio. A gente começa a ler e não para mais.

Dia desses usei o metrô que faz o trecho Paraíso-Vila Madalena. Trem novo, cores novas, cheiro de carro novo e o que ainda me chamou a atenção foi a voz da locutora. Uma gravação padronizada que anuncia as próximas estações de forma clara. Gostei. Nos outros trens quem anuncia as próximas estações são os motoristas. E anunciam mal, muitas vezes a gente não entende o que falam, têm dificuldades para articular as palavras ou preguiça de dizer corretamente. Enfim, talvez acham que não tenham obrigação de anunciar. O usuário que pouco utiliza o metrô ou desconhece o itinerário acaba se confundindo. No Rio já saiu da forma assim, e a gravação é bilíngüe.

Da janela do meu apartamento consigo ver a Serra da Cantareira. Estou aqui no triângulo, Higienópolis/Sta Cecília/Centro. Hoje a Serra me parece muito próxima, dá a impressão de que se a gente quiser pode tocá-la. Anúncio de tempo ruim. Já reparei, quando a distância visual parece mais curta, o tempo vai piorar. Não venha me pedir certezas ou uma garantia do que estou alegando, é só uma aposta baseada na minha observação.

2 comentários:

Hagop disse...

Sergio
Li seu texto de hoje
Por que o título "ÍNDIO"?


Um batchik

Hagop

Sergio K. disse...

Indio porque penso que ainda são os únicos que conseguem se conectar com a natureza sem a ajuda da tecnologia, então achei que tinha a ver com o post.
Gostei de saber que você esteve aqui!