4.11.08

FUSÃO E DISFUNÇÃO

Sobre a fusão Itaú/Unibanco, a gente já sabe que será o maior banco do hemisfério sul, que não haverá dispensa de funcionários, que os donos choraram ao lembrarem de seus pai fundadores, que voaram em aviões separados para Brasília para avisar o ministro Meirelles, e que comeram bem casados e tomaram champanhe para comemorar.

Ninguém falou, mas a gente também sabe que o número de funcionários não subirá para que sejamos melhores atendidos, as agencias continuarão tendo entre dois e quatro caixas para atenderem uma fila com mais de trinta pessoas, quando você fizer um crédito e quiser pagá-lo antecipadamente, através de seu gerente você receberá a notícia de que eles não reduzirão os juros e continuarão lucrando bilhões de reais, mais do que qualquer banco em qualquer economia do mundo lucra no ano. Sei que eles contribuem com ações de cunho social, mas fazem pouco, muito pouco se compararmos a exorbitância dos seus ganhos.

Mas tudo bem, você pode sair por aí falando que é brasileiro o maior banco do hemisfério sul.

Ontem assisti a entrevista do David Linch no Roda Viva. Não sei se com atraso. O que mais me chamou a atenção foram seus dedinhos trêmulos deslizando no ar sempre que começava a falar sobre a meditação transcendental. Em toda explicação os dedinhos estavam lá, deslizando no ar. Me interessei pela coisa. Coincidentemente na semana passada fui a uma palestra. Sai no meio. Ainda não desisti de querer saber mais. Mas o palestrante era muito chato e falou mais de uma hora e meia sobre milhões de coisa menos sobre o que é a meditação transcendental. E o sujeito além de falar muito, além da conta, me passou uma imagem de “vencedor”, daquele que “conseguiu”, de “vitorioso” tudo em razão da meditação transcendental, tinha uma “vida melhor”, “sem estresse”, citou nomes importantes, explicou que foi o Jorginho Guinle quem se interessou primeiro no Brasil pela meditação, e aí... eu saí, não quis ouvir mais nada. Porque pensei na meditação transcendental como um método para encontrar minha paz interior ou qualquer coisa nesse sentido. Ou então alguma coisa está errada na hora de “vender” o produto. Ou minha intuição mais uma vez está certa: onde o homem interfere, a coisa vira um produto de manipulação para fins que extrapolam suas origens, isto é, a meditação transcendental pode até ser uma coisa boa, mas do jeito que estão apresentando ela para mim, ela cai no terreno da banalidade. Vou fuçar mais um pouco a respeito do assunto. Talvez existam pessoas mais séria que possam falar sobre ela sem transformá-la num produto pronto para fazer de você uma pessoa “super bem sucedida”.

3 comentários:

Marfim Cariado disse...

eeeeeeee conto com a sua presença, e q bomq gostou do haikai

Marfim Cariado disse...

ai, esses bancos me irritam tbm. se vc gosta do linch, vai gostar do perolas. hehehe eu acho.

Luiz Antonio Gusmao disse...

concordo plenamente, sergio. "o homem interefere". mas o ensinamento é supera o ego do mestre. aliás, nunca pôr o mestre acima do ensinamento. nunca. eu conheço a meditação vipassana. um bom livro q conheci qdo comecei a praticar foi o "um despertar gradual", do stephen levine. tvez ajude a compreender melhor oq vem a ser a prática da meditação. parabéns pelo livro de contos! abração e boa sorte.